sexta-feira, 16 de outubro de 2009

TCU fará auditoria em serviços de telefonia

Charge do indispensável Satiro

A Comissão do Meio Ambiente e Defesa do Consumidor (CMA) aprovou em sua reunião desta terça-feira (13) requerimento de seu presidente, senador Renato Casagrande (PSB-ES), para solicitar ao Tribunal de Contas da União (TCU) a realização de auditoria operacional em contratos de concessão de telefonia fixa e móvel.

Em sua justificação, Casagrande argumentou que os serviços de telefonia representam a maior fonte de reclamação por parte dos consumidores, segundo os Procons estaduais e municipais. Ele disse ainda que, em tempos de faturas informatizadas, não se justificam cobranças de serviços em duplicidade ou lançamento de ligações e outros serviços nas faturas, indevidamente atribuídas aos consumidores. Informações da Agência Senado.

A caótica situação dos serviços de comunicação do Brasil e os abusos do oligopólio privado criado pela privataria neoliberal já são assunto corrente até no Congresso Nacional. As empresas de comunicação agem sem nenhum controle ou regulação efetiva, abarrotam o poder judiciário com ações e o cálculo das suas tarifas é uma verdadeira caixa preta. O setor também é responsável por enormes contas de publicidade. Curiosamente, a nossa mídia corporativa não realiza "matérias jornalísticas" noticiando esses fatos.

Mais um legado indesejável do tucanato de FHC.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

CPI da Energia investiga tarifas das concessionárias


A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Tarifas de Energia Elétrica ouviu ontem o promotor de Justiça de Jacareí (SP) José Luís Bednarski e o diretor-presidente da AES Eletropaulo, Britaldo Soares.

A CPI investiga a formação dos valores das tarifas de energia elétrica no Brasil e a atuação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na autorização dos reajustes tarifários.

Sem transparência
Em audiência na comissão no mês passado, o procurador Marcelo de Oliveira, coordenador de um grupo de trabalho no Ministério Público Federal sobre o assunto, reclamou que a Aneel não explica de forma clara os itens que compõem as tarifas.

A falta de critérios para o aumento das tarifas também foi criticada pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP). Na ocasião, ele citou o exemplo da Eletropaulo, cujas tarifas caíram 12,7% em 2008 e, em 2009, subiram 13%, anulando o benefício do ano anterior sem explicações claras.
As informações são do Portal da Câmara dos Deputados.

Esse é um assunto que a mídia corporativa propositalmnte evita ou trata de forma secundária e descontextualizada. Vale tudo para não desnudar os nefastos efeitos da privataria neoliberal. Mas os péssimos serviços prestados pelas concessionárias, com uma das tarifas mais caras do mundo, prejudicam o setor produtivo, comprometendo o desenvolvimento do país. Enfim, fica cada dia mais difícil esconder esse esqueleto atrás do biombo do oligopólio midiático.

Comunidade cria blog para se defender de ações da PUC


A associação dos moradores da Vila São Judas Tadeu - AMOVITA - criou um blog para denunciar as investidas da PUC contra a comunidade. Segundo a AMOVITA, incomodada com a presença da comunidade vizinha em área de seu interesse, a Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUC - vem promovendo diversas ações contra a comunidade da Vila São Judas Tadeu. Saiba mais acessando o blog da AMOVITA.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

TRF decide que YEDA não responde por ação de improbidade administrativa

A 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), durante julgamento realizado hoje (14/10) à tarde, decidiu excluir a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, da ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal (MPF) em Santa Maria (RS). O entendimento unânime da turma foi de que a governadora, como agente política, não pode responder por improbidade administrativa, mas apenas em caso de crime de responsabilidade. A informação e do Portal da Justiça Federal da 4ª Região.

A exclusão de Yeda do processo de improbidade administrativa movido pelo Ministério Público Federal em razão do esquema que desviou R$ 44 milhões no Detran-RS não significa a absolvição da tucana. O Tribunal sustentou apenas que os governadores não respondem por improbidade administrativa, mas por crime de responsabilidade. Assim, caberia a Assembleia Legislativa, e não o Poder Judiciário, a competência para investigar e julgar tais fatos em processo de impechmeant.

Da decisão ainda é cabível recurso pelo MPF.

A Arte de ganhar algo que não existe


Por Breton

Segundo a mídia corporativa, economista é a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel de Economia (sic)

Foi noticiado em todos os veículos da grande mídia que uma mulher, pela primeira vez, venceu o Prêmio Nobel de Economia (sic). Não só nenhuma mulher havia sido agraciada com esse prêmio, como ainda não o foi, assim como nenhum homem, alienígena, sapo, gato cachorro... é difícil imaginar alguém ser premiado com algo inexistente. Senão vejamos:
A instituição do premio Nobel foi um desejo de Alfred Nobel, criador do dinamite, de deixar um maior legado para a humanidade, utilizando sua herança para premiar contribuições em diversas áreas, como física, química, literatura, diplomacia, fisiologia. Portanto os prêmios são pagos com o dinheiro da Fundação Nobel, ou da herança do velho Alfred, desde 1901.

O Nobel de Economia (sic), instituído em 1969, não pertence a nenhuma categoria elencada originalmente por Alfred, e tampouco foi incorporada posteriormente. O Prêmio Nobel de Economia (sic), nada mais é do que uma premiação instituída pelo Banco Central da Suécia em Homenagem a Alfred Nobel.

Ou seja, apesar de todos os desvios e absurdos - resultantes de determinadas visões de mundo dos julgadores e patrocinadores - cometidos na escolha dos agraciados com os verdadeiros prêmios Nobel, como Obama, há de se convir que é um prêmio com um certo grau de legitimidade, e credibilidade, maior que o concedido aos economistas. Tentar igualar os dois é agir de má fé. Coisa comum na grande mídia.

Isso lá é comunicação pra Olimpíada?



Temos os mais caros e piores serviços do planeta, tanto na telefonia como na internet

Teremos mundial de futebol em 2014 e jogos olímpicos em 2016. Tudo no Brasil. Muito bem. Mas com esse sistema de telefonia e de internet?

Hoje, seguramente, a pior telefonia do mundo é a brasileira. Caríssima e precaríssima. Desafio quem consegue falar no celular durante cinco minutos que não tenha que trocar de lugar ou mesmo que não caia a linha. Qualquer toldo de zinco é suficiente pra linha chiar. No carro (carona), não se anda 500 metros sem ter que refazer a ligação. Um inferno. E a banda larga na web? Não sei o que é pior, se a telefonia ou a internet. Leio que na Coréia do Sul (menor que Santa Catarina) tem banda larga com 20 Mbps. Aqui, o máximo é 1 Mbps, mas nominalmente te vendem como sendo 3 Mbps. Serviço caro, igualmente o mais caro do mundo, e fajuto.

Pelos 20 Mbps efetivos, os sul-coreanos pagam o equivalente a 10 dólares/mês. Aqui, os 3 Mbps, não saem por menos de 70 dólares, e te empurram um pacote com vários barbicachos e bugigangas junto, a popular venda casada, uma vigarice sem similar.

O lulismo de resultados vai ter que fazer uma revolução nas telecomunicações brasileiras, caso queira fazer bonito em 2014 e 2016. Quero ver enfrentar as telecom da vida e fazer com que os serviços se universalizem, tenham qualidade e alcancem preços populares como no resto do mundo (civilizado).

Hoje, os serviços das telecom brasileiras são risíveis, os estrangeiros que nos visitam ficam abismados com o alto custo e a ruindade das conexões.
Esse artigo publicado no Diário Gauche resume magnificamente o paradoxo brasileiro. Um país que busca a modernidade, mas é refém de oligopólios e monopólios ineficientes e desregulamentados criados pelo processo de privataria do tucanato. Sem resolver esse dilema, colocando esses setores estratégicos sobre controle e a serviço do interesse público, o Brasil nunca conseguirá realizar plenamente suas potencialidades.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Projeto do Ministro Jobim para os aeroportos desestrutura o sistema aeroviário nacional


As privatizações promovidas pelo governo tucano deixaram um rastro de estragos e prejuízos ao povo brasileiro. Nosso serviço de telefonia se tornou um dos mais caros e deficientes do mundo, a desorganização do setor energético produziu um apagão e levou as tarifas de energia as alturas. Neste aspecto, o problema tomou tal dimensão que motivou a abertura de uma CPI da energia na Câmara de Deputados para investigar as distorções e desvios do setor. Ainda sobre o setor elétrico, o professor da Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), Luis Pinguelli, afirma que "o país vive um paradoxo energético. Nós pagamos tarifas mais caras do que em países desenvolvidos, mas consumimos energia que vem de hidroelétricas, sendo que essas são mais baratas do que as termelétricas utilizadas na maior parte dos países ricos”.

Recentemente, ainda, temos assistido cenas impressionantes de descaso, falta de investimentos e má-gestão no sistema de metro do Rio de Janeiro, onde a população é tratada como gado e duramente reprimida quando esboça qualquer reação. O metro também foi privatizado, embora nossa mídia corporativa sempre omita esse fato em seus noticiários.

Isso só para ficar nos exemplos mais conhecidos do fracasso das políticas neoliberais.

A ineficiência da gestão privada em todos esses setores tem reflexos diretos na competitividade da nossa economia e na qualidade de vida dos brasileiros, obrigados a pagar muito para manter oligopólios e monopólios privados sem nenhum controle social.

Mas o Ministro Nelson Jobim não aprendeu a lição. Saudoso do pensamento neoliberal dos tempos do tucanato, capitaneia todos os esforços para privatização dos aeroportos brasileiros. Jobim quer repetir no sistema aeroportuário a desestruturação promovida no setor elétrico. A grande maioria dos aeroportos administrados pela Infraero são sabidamente deficitários, sendo viabilizados pela ganhos de escala e lucros propiciados nos maiores aeroportos. Trata-se de um modelo inteligente que permitiu a criação da infraestrutura aeroportuária por visar o desenvolvimento do país e não apenas o lucro privado.

A iniciativa privada só deseja o filé da infraestrutura aeroportuária. Implantada a proposta de Jobim, haverá um aumento substancial das tarifas para bancar os prejuízos da rede que ficará a cargo do Estado. Assim, obviamente, a iniciativa privada obterá vultosos lucros as custas da patuléia. Em suma, o projeto criará a versão aeroportuária das nossas rodovias pedagiadas ou concedidas, como quer o ministro Jobim.

Como o ministro não desconhece essa situação, visa evitar a enorme rejeição popular às privatizações com uma camuflagem semântica. Como na novilíngua da obra "1984" de George Orwell, fala em concessão ao invés de privatização. Enfim, como já afirmamos neste blog, trata-se de um verdadeiro tucano infiltrado no governo Lula.

Somente um forte movimento de resistência popular, a denúncia desses fatos e o esclarecendo da população poderá evitar que sejamos novamente saqueados pela insaciável ganância dos promotores da privataria.

O renascimento do fascismo na Itália


Nossa mídia corporativa sempre tão "preocupada" com a democracia na América Latina, quando se trata de governos não alinhados aos seus interesses é claro, pouca atenção tem dado ao recrudescimento do fascismo na Itália.

O governo de Silvio Berlusconi legalizou a formação das chamadas "patrulhas cidadãs". Esse grupos são formados por voluntários com o suposto objetivo de auxiliar no combate ao crime e na manutenção da "lei e da ordem". Sem remuneração e teoricamente não podendo portar armas, esses grupos tem se multiplicado, adotado uniformes e agido principalmente na intimidação aos imigrantes e na incitação o ódio racial.

Recentemente, o líder de extrema direita de um desses grupos foi filmado em uma reunião fazendo uma saudação nazista sobre aplausos dos presentes. Os fatos se assemelham em muito aos ocorridos durante o regime fascista do ditador Benito Mussolini. Mussolini criou milícias chamadas "camisas negras" que tinham objetivo de intimidar opositores e sustentar o regime fascista.

Infelizmente, esses tristes fatos não tem despertado a atenção merecida da mídia corporativa, deixando novamente o "ovo da serpente" se desenvolver livremente em nossos tempos.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sem acerto

Simplesmente genial essa charge do Santiago publicada no Dialógico.

Argentina aprova nova lei de mídia


Vitória da democracia: Senado argentino aprova nova lei de mídia

Pescado do Portal Vermelho

A liberdade de imprensa ganhou novo fôlego na Argentina na madrugada deste sábado, 10, com a aprovação, por parte do Senado, da inovadora lei de radiodifusão, mais conhecida como "lei da mídia", que aumentará a participação da sociedade e do governo nas decisões envolvendo a concessão de licenças para canais de TV e rádio.

A aprovação da lei só é uma má notícia para os interesses coroporativos dos poderosos grupos de mídia no país, que até então usavam como bem entendiam o espaço comunicacional por eles explorados.

Para obter esse trunfo democrático, a presidente Cristina Kirchner mobilizou sua base no parlamento e contou com o apoio dos movimentos sociais para conseguir a aprovação da lei. Além da própria base, o governo obteve a adesão de diversos senadores opositores, que concordaram em votar a favor dos Kirchners. A lei foi aprovada depois de 15 horas de debates com 44 votos a favor. A oposição reuniu 24 votos contra o projeto de lei. A Câmara dos Deputados já aprovou a proposta, no último dia 17

O ex-presidente Kirchner havia denominado este embate no Parlamento de "a mãe de todas as batalhas". O mais radical adversário da lei é o principal grupo de mídia do país, o Grupo Clarín. Desde o ano passado, o Clarín está em pé de guerra contra o governo Kirchner. Cristina e o ex-presidente Nestor Kirchner acusam o Clarin de tentar implementar um "golpe de Estado" midiático.

Direitos ampliados

Para tentar justificar a derrota, a oposição alegou que houve "compra de votos" no parlamento. O governo contra-argumentou, acusando os representantes da oposição de defender os "monopólios" de comunicação.

O senador governista Nicolás Fernández defendeu a lei com o argumento de que propiciaria "pluralidade" nos meios de comunicação.

Do lado de fora do edifício do Congresso Nacional milhares de manifestantes comemoraram com bumbos e faixas a aprovação do projeto de lei, que abrirá espaço nos meios de comunicação para sindicatos, ONGs e a Igreja Católica, além de universidades públicas.

Controle social sobre a mídia

A lei impedirá os monopólios, pois impede que qualquer rede privada de TV possa concentrar mais do que 35% do mercado de mídia. Outro ponto positivo da lei é o impedimento aos grupos de mídia de manter um canal de TV aberta de forma simultânea a um canal de TV a cabo. Além disso, a lei determina que as licenças para canais de TV em cidades maiores de 500 mil habitantes serão concedidas diretamente pelo próprio governo. A nova lei ainda regulamenta a publicidade oficial.

As licenças, que até esta lei tinham duração de 20 anos, passarão a ter um prazo de 10 anos, com a possibilidade de serem renovadas por outra década. No entanto, as licenças serão revisadas a cada dois anos, aumentano o controle público sobre estas concessões.

Fúria da mídia rendeu votos a favor da lei

A mídia atacou de forma tão violenta e despropositada a nova lei, com ameaças e denúncias falsas, que até mesmo senadores da oposição que eram contra o projeto passaram a ser a favor da lei de mídia.

O senador Carlos Salazar, integrante do partido Força Republicana, da província de Tucumán, que há poucas semanas havia assinado uma ata na qual afirmava que o projeto de lei de mídia da presidente Cristina era "inconstitucional" - votou a favor do projeto dos Kirchners. Ele afirmou que estava indignado pela "perseguição" da mídia aos políticos.

Vários outros senadores que foram alvo da imprensa ao longo das últimas duas décadas, apesar das divergências ideológicas com a presidente Cristina, também optaram por apoiar o governo.

A aprovação da lei argentina abre espaço para que legislações semelhantes sejam aprovadas em outros países da região. No Brasil, o processo preparatório da 1ª Conferência Nacional de Comunicação já está debatendo propostas para democratizar a comunicação no país.

domingo, 11 de outubro de 2009

Golpe no Piratini

Yeda consegue se superar a cada dia. Poucas histórias conseguem ser tão surreais quanto o governo tucano do RS. Essa história de cancelar uma viagem por medo de um golpe do próprio vice é incrível. A governadora deve imaginar ser mandatária de alguma republiqueta ou monarquia dos trópicos.

Obs. A obra acima do nosso artista Hupper (blog Satiro) retrata
a possível imagem mental da nossa governadora do golpe que poderia ser protagonizado pelo seu vice-governador, Paulo Feijó (DEM), com o apoio de forças procedentes do Balneário Uruguaio de Punta del Este

Dica de Cinema: Super Size Me


Documentário escrito, produzido, dirigido e protagonizado pelo cineasta independente estadunidense Morgan Spurlock. Por 30 dias, Spurlock adota uma dieta baseada exclusivamente em produtos da rede McDonald's. Com três refeições por dia na rede de comida rápida, Spurlock documenta detalhadamente os efeitos dessa dieta sobre à saúde.

O resultado é assustador. Antes saudável e magro, o protagonista ganha 11,1 kg, experimentando mudanças de humor, disfunção sexual e outros danos à saúde. O documentário debate ainda a influência nefasta da indústria de comida rápida nos hábitos alimentares da sociedade.

Obs. Spurlock precisou quatorze meses para perder o peso que ganhou nos 30 dias do documentário.

sábado, 10 de outubro de 2009

A estratégia da vitimização


Ontem a mídia oligolista regional divulgou que o deputado Raul Pont (PT) teria agredido a deputada tucana Zila Breitenbach, relatora do processo de impeachment da governadora YEDA. O fato teria ocorrido durante a sessão que analisou o relatório e decidiu pelo arquivamento do pedido.

Nada poderia ser mais oportuno para o governo tucano. A suposta agressão passou a pautar o debate midiático, encobrindo completamente os meandros da sessão que arquivou o processo de impeachment de YEDA. Como de praxe na mídia corporativa, pouco atenção se deu ao contraditório, pouco se falou sobre os procedimentos adotados na sessão ou se ouviu os argumentos da oposição.

Particularmente, ao ler a íntegra da nota de esclarecimento do deputado Raul Pont e conhecedor do "modus operandi" desse governo, antevejo a velha estratégia de vitimização para desviar o foco do debate. O verdadeiro vale tudo para evitar que venha ao conhecimento da opinião pública como a base governista atua no parlamento gaúcho.

Nota de Esclarecimento

Em decorrência da versão disseminada nos meios de comunicação sobre a sessão de votação da admissibilidade do pedido de impeachment da governadora, na noite de quinta-feira (8), esclareço que:

1- Não falei, não toquei, não fiz qualquer ameaça à relatora do processo, Zilá Breitenbach (PSDB) e nem "dei tapa" em microfone;

2- A versão disseminada pelo PSDB e pelos aliados da governadora Yeda Crusius não condiz com a realidade dos fatos e se configura numa tentativa desesperada de vitimizar, perante a opinião pública, os verdadeiros algozes do povo gaúcho;

3- A violência praticada durante a sessão partiu daqueles que, para atingir seu intento, rasgaram a Constituição, o Regimento Interno do parlamento e a legislação que estabelece o rito do processo;

4- Afronta à população foi o fato de o presidente da comissão especial ler o parecer do Procurador-Geral da Assembleia Legislativa e agir no sentido oposto, garantindo voto a um deputado sem representação na comissão, pois já mudara de partido, mas decisivo para aprovar a farsa. Sem ele, não haveria quorum – maioria absoluta – para assegurar o arquivamento do processo contra a governadora;

5- Desrespeito ao povo foi decisão do presidente e da relatora de ignorar o material sob sigilo, de não ouvir o MPF e os signatários do pedido de afastamento da governadora e de desconsiderar as reuniões subscritas por dez deputados para a realização de diligências. Ao invés disso, dedicaram-se à produção de um relatório chapa branca que encobre a verdade e envergonha o Rio Grande do Sul.

Deputado Raul Pont
Vice-líder da Bancada do PT na Assembleia Legislativa

Ricardo Carneiro: a crise não acabou

Em entrevista ao Jornal da Unicamp, o economista Ricardo Carneiro faz um balanço do estado das artes da crise econômica mundial. Para o professor do Instituto de Economia da Unicamp, o fato de estar havendo uma leve recuperação da renda e do emprego nos países avançados e nos periféricos não significa muito diante da profundidade da crise. "A grande diferença que marca o desenrolar da crise atual ante a crise de 1929 é a forma e intensidade da ação do Estado. Em 1929 houve uma espécie de omissão do Estado – por meio das suas principais agências econômicas, o Banco Central e o Tesouro", avalia.

Jornal da Unicamp: Já podemos falar em um cenário mundial pós-crise? Há sinais que evidenciem este cenário ou pelo menos de que o pior da crise tenha passado?

Ricardo Carneiro: Não creio que a crise tenha sido superada tão depressa. O fato de estar havendo uma leve recuperação da renda e do emprego nos países avançados e nos periféricos não significa muito diante da profundidade da crise. De qualquer modo, há uma forte divergência entre os economistas quanto ao assunto. Há os que apostam que “o pior já passou”, outros que falam em reincidência de fases mais agudas. Do meu ponto de vista estaremos diante não de movimentos bruscos, mas de um lento desenrolar da crise, marcado por um baixo dinamismo permanente que pode, eventualmente, ser compatível com alguns períodos de melhora. Ou seja, creio que a crise terá uma dimensão crônica.

Jornal da Unicamp: Após a crise de 1929 houve longo período de recessão mundial. Desta vez, em um ano, a recessão parece estar chegando ao fim. Houve uma reação exagerada com a atual crise ou o mundo está mais preparado para sair de turbulências como as de 1929?

Ricardo Carneiro: A grande diferença que marca o desenrolar da crise atual ante a crise de 1929 é a forma e intensidade da ação do Estado. Em 1929 houve uma espécie de omissão do Estado – por meio das suas principais agências econômicas, o Banco Central e o Tesouro. As ações só começaram a ganhar corpo, no caso americano, por exemplo, em 1933, quando o impacto maior da crise em termos de emprego e PIB já havia se manifestado.

Em 2008, o Estado agiu prontamente com os bancos centrais emprestando dinheiro barato aos bancos e uma gama mais ampla de instituições financeiras. O Tesouro, por sua vez, ampliou seus gastos. Com isso se evitou uma falência em cadeia dos agentes – o que os economistas chamariam de deflação – e, ao mesmo tempo, promoveu-se uma sustentação da renda pelo gasto público.

Isto explica a menor gravidade da crise atual em termos de perda de renda e emprego. Ma é preciso também analisar os limites da ação do Estado; ela vai se manifestar exatamente na forma e intensidade da recuperação. Depois da catástrofe de 1929 houve, na década de 1930, uma recuperação substantiva induzida pelo gasto público. Agora é diferente: ao evitar a deflação, o Banco Central evitou que os ativos e endividamento das famílias e das empresas “virassem pó” como no passado. Em contrapartida, o fato de manter as dívidas faz com que esses agentes estejam menos dispostos a gastar seus eventuais aumentos de renda, induzidos pelo setor público. Durante um tempo mais ou menos longo todos vão procurar reduzir suas dívidas ao invés de gastar.

Jornal da Unicamp: É possível fazer uma comparação entre as duas crises?

Ricardo Carneiro: Há semelhanças e diferenças. Ambas as crises são resultado da operação de um capitalismo desregulado e financeirizado. Nas duas houve um processo de ampliação sustentada de preços de ativos, descolada dos fundamentos, as chamadas bolhas que terminaram por “furar”, ocasionando vários tipos de problemas. É interessante notar que esse tipo de capitalismo tem na especulação uma importante mola propulsora que lhe confere durante certo tempo elevado dinamismo.

Mas, ele leva sempre a um “descolamento” e a um ajuste que nem mesmo a ação do Estado pode evitar. As diferenças são relevantes e dizem respeito de um lado ao ativo principal sobre o qual se fixou a especulação. Em 1929, a bolsa de valores era o carro-chefe; em 2008, os imóveis. No segundo caso, o grau de envolvimento das famílias foi muito maior. Ou seja, havia um percentual mais elevado de famílias americanas comprometidas na especulação imobiliária, até porque a propriedade de imóveis é mais disseminada.

Jornal da Unicamp: Com a fragilidade da economia norte-americana diante da crise, o senhor acha que haverá, do ponto de vista econômico, uma divisão de forças e uma nova configuração internacional?

Ricardo Carneiro: Na verdade, mesmo antes da crise já era visível uma certa redistribuição do poder econômico global em direção à Ásia e principalmente à China. A crise deve acelerar este processo, mas ele será eivado de contradições ou de marcha e contra-marchas. Eis alguns exemplos: dificilmente a economia americana voltará a ser a “locomotiva do mundo” como foi no ciclo recente, mas não há outra candidata a substituí-la.

Para manter o ritmo de crescimento, as economias asiáticas terão que se alimentar do dinamismo interno, o que não é trivial. O crescimento da dívida pública americana deverá criar algum grau de rejeição ao dólar como moeda de reserva internacional. No entanto, não há no horizonte uma moeda substituta para cumprir o seu papel. A proliferação de moedas/acordos regionais pode ser uma resposta. Em síntese, nós deveremos entrar num período de relações econômicas internacionais mais instáveis até que alguma outra ordem de maior estabilidade seja posta no seu lugar.

Jornal da Unicamp: Podemos falar num novo modo de regulação da economia internacional e da reabilitação do papel Estado nessa regulação?

Ricardo Carneiro: Até o momento não, pois o que temos de fato é o G-20 que constitui na prática um grupo informal de consulta. É importante enquanto agrupamento por incluir países em desenvolvimento, mas seria necessário que caminhasse para alguma forma institucional. Por sua vez é necessário considerar que há interesses divergentes dentro do grupo. Na minha opinião, uma forte regulação do sistema financeiro internacional, ou seja, dos fluxos de capitais, que constituiria a contrapartida à regulação financeira doméstica, não interessa aos EUA. Isto significaria reduzir a importância do dólar no cenário internacional. As medidas que têm se originado do G-20 são, por enquanto, cosméticas ou retóricas.

Jornal da Unicamp: O senhor poderia citar aspectos negativos e positivos de reação à crise que foram adotados pelos principais países afetados, incluindo o Brasil?

Ricardo Carneiro: Creio que a resposta à crise nos vários países, incluindo o Brasil, foram no geral positivas. Ela envolveu a aceitação da importância do papel do Estado como instrumento de estabilização em momentos de turbulência. O aspecto negativo é que esse papel estabilizador é visto como necessário apenas em momentos de crise. Ou seja, creio que não se viabilizou ainda um consenso ancorado em forças sociais expressivas capazes de propor e implantar uma nova forma de regulação e de participação do Estado na vida econômica capaz de evitar a constituição de economias guiadas pela especulação.

Jornal da Unicamp: Qual é o papel dos Brics – Brasil, Rússia, Índia e China – na retomada do crescimento mundial diante deste cenário?

Ricardo Carneiro: O que caracteriza esses países é uma certa capacidade – diferenciada entre eles – de resistir à crise. A China está muito melhor posicionada pelo seu grau de desenvolvimento produtivo, volume de reservas internacionais, perfil da política econômica etc. Seguem-se a Índia, o Brasil e a Rússia. De todo modo, devemos deixar de lado a ilusão de que esses países podem liderar um novo ciclo de crescimento mundial: eles não têm as pré-condições para fazê-lo, tais como tamanho, moeda, finanças, controle da tecnologia etc. Talvez, quem sabe, essa capacidade possa vir daqui a uns 20, 30 anos se esses países continuarem numa trajetória de crescimento acelerado.

Jornal da Unicamp: Em certa medida, a crise evidenciou, internacionalmente, o bom desempenho da economia brasileira, já que o país foi um dos últimos a entrar e está sendo um dos primeiros a sair dela, segundo analistas. Que fatores podemos destacar da economia brasileira que contribuíram para o bom desempenho do país diante da crise, quando comparado a outras nações?

Ricardo Carneiro: As ações do Brasil têm semelhanças e distinções com as dos demais países. Do ponto de vista macroeconômico, seguimos a orientação correta de realizar uma política anti-cíclica de razoável envergadura: reduzimos a taxa de juros para patamares civilizados – embora com algum atraso em relação aos demais países – e diminuímos o superávit primário em cerca de 2% do PIB.

Cometemos o pecado de deixar a nossa moeda se valorizar, o que nos custou algum dinamismo e pode custar ainda mais no futuro. De qualquer modo, nessa dimensão, o saldo foi positivo. O outro aspecto que merece ser enfatizado, e que é talvez o mais importante, refere-se à ação do Estado no plano mais estrutural. O Brasil – assim como a China, a Índia e a Rússia – possui importantes setores econômicos controlados pelo Estado. Assim foi possível evitar uma queda substancial no crédito por meio dos bancos públicos e assegurar um programa importante de investimentos na área de energia por meio da Petrobrás.

O PAC também tem constituído um importante instrumento de criação de expectativas favoráveis sobre o futuro. Em resumo, enfrentamos melhor a crise, saímos dela com uma perspectiva razoável de crescimento mas ainda é necessário deixar mais clara a estratégia de um crescimento de longo prazo num mundo marcado por fortes incertezas.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A tapioca e a casa da governadora YEDA


Não faz muito tempo, a mídia corporativa tratou por vários dias, como um assunto de suprema relevância política nacional, sobre a legalidade da tapioca adquirida por um ministro para sua alimentação com cartão corporativo pela elevada cifra de R$ 5 (cinco reais). Foram consultados especialistas, debatida a legalidade e moralidade da compra dessa iguaria nacional e, mesmo após a devolução do valor pelo ministro, o tema continuou gerando raivosos pedidos de providências e punições.

Ao voltar de viagem para o Rio Grande sou surpreendido pela informação que a governadora tucana adquiriu com recursos públicos móveis, decorou o quarto dos netos e promoveu várias melhorias na sua casa particular, adquirida após as eleições e cuja origem dos recursos é motivo de forte polêmica. Mas agora, ao invés de surtos moralistas e rápidas condenações pela mídia corporativa regional das compras de YEDA, há explicações, justificativas e defesas da legalidade e precedentes do ato.

A governadora tucana prometeu um "choque de gestão" e deixou o Estado realmente "chocado", prometeu "arrumar a casa" e o fez literalmente e de lambuja ainda desmoralizou mais o oligopólio midiático regional.

Trilegal


Pescado do blog do Kayser.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ministro Nelson Jobim quer alterar nosso idioma


O Ministro Nelson Jobim faz um esforço linguístico para promover a privatização dos aeroportos. Como a população brasileira está resabiada com os trágicos efeitos da perda de controle público de setores estratégicos, o ministro quer convencer que a proposta de privatização não é privatização.

Segundo notícia publicada pela Agência Brasil, para Jobim, o termo privatização é um equívoco. “Privatização significa venda. E não vai se vender nada. Concessão não é privatização”, insistiu Jobim disse ainda que o ministério está trabalhando no sentido de definir modelos de concessão para os aeroportos nacionais. “O que podemos sugerir ao presidente é, primeiro, a existência de um modelo de concessão, o que é completamente diferente de autorização ou de permissão.”

Pelo visto o ministro compartilha da opinião daquele famoso apresentador de telejornal. Ambos pensam que o povo brasileiro é idiota e o tratam como fariam com o Homer Simpson.

Homenagem à CHE o "guerrilheiro heróico"

Assassinado há 42 anos, em 09/10/67, Ernesto Che Guevara doou sua vida à humanidade e não temeu morrer por seus ideais.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Personagem de história em quadrinhos


Os últimos acontecimentos na política do Rio Grande estimularam a minha memória e imaginação. Na infância foi um leitor voraz de histórias em quadrinhos. Não pude deixar de lembrar da Vovó Metralha.
Como faz o diário da mídia corporativa regional, eu também vou escolher o personagem desta semana. A Vovó Metralha é o meu personagem da semana.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Policiais Militares protestaram em Porto Alegre

Cerca de CINCO MIL policiais militares protestaram onttem em Porto Alegre por reajuste salarial. Eles saíram em caminhada da Praça Brigadiano Sampaio, ao lado do Comando-Geral da Brigada Militar, e seguiram pelas principais ruas da Capital até o Palácio Piratini.

Os policiais exigem a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição número 300, que prevê que o salário da categoria em todo o país não seja inferior ao do Distrito Federal. O salário em Brasília é em torno de TRÊS MIL reais. Os policiais também querem que o governo estadual aumente o salário do estado, um dos mais baixos de todo o país. Informações da Agência de notícias Chasque.

Priorizar os maiores salários do Estado e esquecer a maioria os trabalhadores que prestam serviços essenciais para população gaúcha, como educação, segurança e saúde, é outra marca do chamado "choque de gestão" do governo tucano e seus aliados.

Seguidores

Direito de Resposta do Brizola na Globo